Crítica: ‘O Menino do Pijama Listrado’

27 03 2009

Alguns já sabem, mas para aqueles que ainda não tem conhecimento, eu sou um fanático por filmes de tragédia. Não é atoa que ‘Crash – No Limite’, ‘O Custo da Coragem’, ‘O Presente’, ‘Banquete do Amor’ e alguns outros que não me vem á memória fazem parte da minha lista de preferidos. Agora, ‘O Menino do pijama Listrado’ também entra para o time.

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Centrado no período do Holocausto, o filme conta a história do garotinho Bruno, filho de um alto comandante do exército Alemão, que tem de se mudar com sua irmã e sua mãe para uma nova casa, longe da escola e dos amigos. O garoto chega a seu novo lar, em Berlin, e se vê no meio do nada, um lugar onde não há garotos de sua idade, não há escola e muito menos liberdade.

O jovenzinho de 8 anos de idade mal sabe que faz parte históricamente de um grande ato que permeia os livros de História de todo o mundo. Para ele, o trabalho de seu pai, cujo ela pensa ser apenas um soldado, visa ajudar as pessoas. A inocência do garoto atrelada à grande contrariedade de sua mãe aos ideais revolucionários de Hitler dão uma característica explêndida ao filme. Vemos o Holocausto de um outro ângulo, e é justamente por isso que o filme se torna tão interessante.

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Aqui não se fala dos bandidos, e também não se aplica julgamentos à Judeus e ao Estado, inocentando ou culpando um dos dois grupos, mas temos a figura de um garoto totalmente leigo de qualquer senso crítico sobre a sociedade em que vive, e até mesmo de onde mora.

Certo dia, Bruno entediado com a vida de não se fazer nada, vai buscar novos espaços para poder se divertir, tal como fazia em sua antiga cidade, e então, já longe de sua casa, se depara com um campod e concentração de Judeus, separado por uma cerca gigantesca. O garoto encontra ali, alguém que para ele se assemelha muito à sua condição por também ser criança, contudo para seu pai e os Nazistas, os dois garotos são de naturezas diferentes. Esta distinção de idéias, é outro ponto marcante do filme.

O jovem Bruno, no decorrer do filme vai ganhando mais notoriedade, e deixa de ser o garoto mimado com cabelo de boi-lambeu que tem educação rígida. O menino se pergunta várias vezes o porquê de tudo, característico de qualquer pessoa de sua idade, e com isso, sem ter explicações sobre o que era a chamada ‘fazenda’ para ele, que seria na verdade o campo de concentração, ele não se intimida a se relacionar com o jovem prisioneiro do outro lado da cerca. Os dois passam a conversar todos os dias, e a se conhecer melhor.

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Interessantíssimo a cena, quase aos 35 minutos de filme, em que o solitário Bruno, quando vê Shmuel (acredite! É o nome do garoto judeu) do outro lado da cerca e indaga: “Não é justo, eu ficar preso aqui sozinho, enquanto você está aí, brincando com seus amigos o dia todo”.

Após a cena, o cinema inteiro solta um enorme e alto: “Nooooosssa!” sem dó. A platéia fica louca ao testemunhar tal alegação e ver como a inocência no garoto pode no futuro, ser um grande problema para seu pai.

Isto logo em meados do filme já podemos prever, alguma coisa vai acontecer, mas o quê? Bom, não vou estragar o prazer de ninguém, aliás, ‘prazer’ não, pois muitos não gostaram do fim do filme, mas eu adorei, é simplesmente o melhor desfecho que a trama poderia oferecer, tanto á nós, quanto ao próprio pai do jovem Bruno. O desfecho do filme deixou muitos revoltados, tristes e de certa forma tocados pelo que viram.

Uma história linda, pura, muitíssimo bem narrada e adaptada para as telonas. O DVD do filme será também distribuídora pela Disney, e custará altos R$115,40, com entrega prevista para o dia 10 de Junho. Mesmo assim, é uma excelente, recomendável e Indispensável aquisição. Uma obra-prima que, nos dias de hoje, com tantas monstruosidades que estamos ‘acostumados’ a ver e presenciar, se torna uma aula de boas maneiras.

SINOPSE

Bruno tem oito anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os Judeus. Também não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. “O Menino do Pijama Listrado” é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

Tamanho originalTamanho originalTamanho originalTamanho originalTamanho originalExcepcional.

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8 responses

27 03 2009
Mauro Irapuan

Parece ser um ótimo filme, vou assistir.
Aliás Junior vc ja teve alguma informação da Warner se há previsão de lançar ainda este ano ONE TREE HILL-3ºTEMPORADA e alguma informação sobre ENTOURAGE ou quais séries ela irá lançar este ano, valeu e mais uma vez mandando recado num lugar q nao tem nada a ver.rs

27 03 2009
Mauro Irapuan

ME MANDE NO MEU EMAIL QDO PUDER, VALEU!!!

27 03 2009
Junio Rocha

Olá Mauro,

haha agradeço por tudo, uma solicitação destas mesmas informações foram passadas à distribuídora à algumas semanas atrás, acho que foi você mesmo quem me questionou sobre isso, não me lembro ao certo. Mas como as distribuídoras estão muito preocupadas conosco, demoram bastante para responder, ou até deixam de lado nossos questionamentos e mensagens !

Espero poder receber (AINDA) sua resposta.

30 03 2009
Gilson Weyne

Gostei do filme mas foi um filme que não me emocionou, não que eu seja uma pessoa muito emotiva mas filmes de genocídio possuem esse apelo. Lembro que me emocionei em “A Lista de Schindler” com o Schindler (Liam Neeson) perguntando a seu assistente Itzhak Stern (Ben Kingsley) quantos judeus poderia trocar por seu relógio de pulso em um momento que ele já tinha gasto toda sua fortuna comprando judeus para salva-los das câmaras de gás, e ainda no “O Pianista” quando o personagem de Adrien Brody está faminto e doente, escondido em um apartamento e diante de um piano que havia ali ele senta-se e simula estar tocando.

Acho que a ingenuidade extrema do garotinho Bruno ficou fora da realidade, mesmo sendo uma criança de oito anos, mesmo a época sendo outra, mesmo havendo uma repressão quanto a liberdade de expressão, eu não sei como o garoto podia ser tão ingênuo de achar que os judeus estavam se divertindo na “fazenda” se as pessoas refletiam a própria imagem da desgraça humana. O garoto morou em Berlim e brincava na rua com outras crianças e ele nunca se apercebeu que os judeus eram tidos como pessoas diferentes, como uma sub-raça, que eram impedidos de andar nas calçadas, de frequentar os comércios e escolas, o oficial nazista pai dele falava pra ele que judeu não era gente, a irmãzinha hitlerista falava a mesma coisa, tinha um professor que pregava isso também. Sem contar uma cena que durante o jantar o serviçal judeu que trabalhava na casa derrama acidentalmente uma taça de vinho e o colega de farda do pai que estava à mesa arrasta o infeliz aos gritos de insultos para um outro cômodo e, ao que subtende-se, espanca-o até a morte. Em outra cena o garotinho Schmuel é levado à casa de Bruno para limpar umas taças e é flagrado pelo mesmo oficial do espancamento anterior comendo um bolo dado por Bruno, eis que quando perguntado responde que não conhece o garoto judeu e que quando chegou o mesmo já estava comendo… Na próxima vez que se encontram na “fazenda” o garoto Schmuel está com um olho arrebentado.

Lendo as curiosidades nos sites de filmes, li que pelas características do campo de concentração (possuir quatro crematórios) tudo indicava que o campo do filme é Auschwitz, e eu ficava me perguntando que campo de concentração moleza era aquele que o garotinho Schmuel ficava todos os dias “matando o serviço” sentado perto da cerca conversando com o amiguinho alemão, ao que parece não havia fiscalização nem guardas patrulhando a cerca. Pra piorar ainda mais, como é que uma criança vem com uma pá e entra dentro do campo em plena a luz do dia? Se uma criança consegue entrar sem ser visto, porque que os judeus não fugiram?

“O Menino do Pijama Listrado” tem uma história bonitinha mas um tanto fantasiosa na minha humilde opinião. De qualquer forma acredito que seja um filme que vá locar em locadoras com bom público para drama.

13 05 2009
Ismael

li o livro e não vejo a hora de poder ver o filme… Estou muito nervoso!!!

24 07 2009
Thalita

Eu concordo exatamente com o comentário do Gilson Weyne. Não vi o filme, mas pelo livro há muitas falhas nesse sentido do não conhecimento de Bruno quanto ao regime nazista. Em minhas pesquisas pude ver o modo como Hitler mudou totalmente a educação para que todas as crianças alemãs soubessem da diferenças entre os judeus e adotassem ao partido.

O que talvez possa deixar Bruno livre disso foi a educação que ele recebeu particular em casa, mas mesmo assim, o pai era um importante comandante e convidaria para professor alguém muito bem recomendado pelo “Fúria”.

O livro mais parece um garoto de hoje que chega lá do nada e nada conhece…

A título de originalidade, acredito que o livro foi muito bom, por mostrar uma visão infantil sobre esse regime, algo que eu ainda não havia encontrado.
A partir do filme, pessoas se instigarão ao livro, e depois do livro se instigarão a pesquisa do que foi de fato o nazismo.

Ainda muitas pessoas não conhecem essa parte da história muito bem. Eu acredito que foi uma das mais chocantes épocas de nossa história, principalmente por ser tão recente. É necessário que as pessoas saibam, que entedam até onde o preconceito pode levá-las… e mais… como uma pessoa no poder manipula o povo de forma a fazer coisas tão absurdas acreditando ser o mais correto possível no momento.

Espero que muitos ainda conheçam… que muitos leiam… e que muitos escrevam, pois há coisas ainda a serem desvendadas…

11 08 2009
O MuNdO eM UmA JaNeLa

Estou muito atrás de assistir esse filme, pois eu li o livro e amei! Simplesmente, amei! mas andei epsquisando e vi que o filme já foi lançado e em 2008! Isso procede? escutei há pouco tempo que ele estaria no cinema… o que é verdade, afinal??

10 09 2009
lidiane

amei o filme …+ é triste tbm….principalmente no fim……….tadinhos dos meninos…

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